Toda noite, aparece um monstro lá em casa. É o Bichinho Comedor de Dentes. Admito: inventar monstros está longe de ser considerado uma forma adequada de educação; é um método totalmente ultrapassado usado por nossos pais e avós e que pode traumatizar uma criança. Mas, depois de travar pela milionésima vez a inglória batalha de tentar escovar os dentes da minha filha por bem, usando as explicações lógicas de higiene e saúde, simplesmente desisti e optei pelo golpe baixo.
- Então, você não quer escovar os dentinhos, não é? Lembra que a vovó disse que seu primo Mateus foi ao dentista? Sabe por quê? Ele não escovou os dentes e o Bichinho Comedor de Dentes, que adora sujeira, entrou na boca dele!
Round 1: Laura arregala os olhos.
- Isso mesmo filha - meu marido resolve me apoiar, fazendo uma voz assustada. Eu acho que o Bichinho Comedor está vindo aí, não é mamãe?
Viro-me de lado e faço um rugido disfarçado.
Roud 2: Laura se aconchega nos braços do pai.
- Calma, filha, eu vou jogar o bicho pela janela enquanto sua mamãe escova seus dentes. Assim, ele não vai entrar na sua boca!
Com essa frase de impacto, meu marido sai valentemente do quarto e trava uma luta com o Bichinho Comedor de Dentes com direito a gemidos e sons de tabefes.
Round 3: pela primeira vez na vidinha dela, Laura abre a boca docilmente para que eu escove os dentes, sempre com os olhinhos arregalados olhando para a porta à espera da entrada do vencedor da luta. Quem teria sobrevivido? Seu pai ou o Bichinho Comedor de Dentes? Aproveito para escovar com o maior capricho em cada dentinho, inclusive dando uma boa esfregada na língua! Um luxo! Nocaute! papai e mamãe, um, Laura, zero. Depois eu rezo um terço para a Santa Super Nanny das mães desesperadas como penitência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário