quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Socorro! Meu filho está de férias!


O que fazer com as crianças em casa ou em passeios com pouca grana.


Você se lembra da euforia de quando era estudante e, finalmente, entrava de férias? O paraíso nos esperava – assistir a sessão da tarde deitado no sofá, viajar para a casa dos avós no interior ou ficar na rua até tarde brincando com os vizinhos era tudo de bom.

Hoje, sou a mãe e as “férias de criança” não fazem mais parte do meu paraíso. Aliás, sem um planejamento, a coisa pode estar mais para férias infernais. Afinal, não há mais segurança para as crianças brincarem na rua.

Xeretando na internet, descobri ótimas dicas para se curtir as férias sem viagem com as crianças... Desde que você more no Rio de Janeiro, em São Paulo ou Curitiba. Mas, na grande maioria das cidades, até em capitais como Belo Horizonte, as opções de lazer para os pequenos são restritas, com excesso de público e de alto custo.

As praças públicas sofrem com depredação pela própria população e muitos espaços foram ocupados por consumidores de drogas tornando-se locais perigosos. Quem mora no litoral é privilegiado, pois a praia é grátis. Aos demais mortais, restam os clubes, mas só para quem paga a cota.

Os shoppings se tornaram a rota de fuga para pais desesperados, mas é melhor estar preparado para o preço que você vai pagar. Veja a média de preços nos shoppings da minha cidade. Três horas de estacionamento, R$21,00. Cinema 3D para um adulto e duas crianças, R$52,00. Dois baldes de pipoca e três refrigerantes, R$39,00. Quarenta minutos no play para duas crianças, R$48,00. Três casquinhas de sorvete para arrematar o passeio, R$7,50. Total da brincadeira: R$168,50 por três horas de diversão. Isso, sem considerar o tempo gasto no trânsito, para achar a vaga no estacionamento e nas filas do cinemas e praça de alimentação. Ufa!

Não há escapatória, você terá que fazer, ao menos, um passeio desses. Mas pode preencher com criatividade e alguma dedicação os demais dias.

·        Fique de olho no jornal para não perder opções de lazer oferecidas gratuitamente pela prefeitura, como ações em parques com diversão para a garotada.
·        Monte você mesmo um roteiro de diversão em um parque que ofereça brinquedos como escorregador ou aquelas estruturas de ferro para escalar. Proponha desafios entre as crianças como quem sobe mais alto, competições de corrida ou de bicicleta. Compre medalhas ou troféus com antecedência para a hora da premiação. Em lojas de materiais esportivos, há itens como esses bem baratinhos.
·        Se você, como eu, sofre da síndrome do filho único, trate de fazer amizade com as mães dos coleguinhas que também são filhos únicos. Descubra quem não viajou e marquem um rodízio – cada dia as crianças se reúnem na casa de um. Variam de ambiente, de brinquedos e as mães se revezam no cuidado com as crianças.
·        Junte amiguinhos e primos para um concurso de talentos. As crianças podem dublar músicas, dançar, usar fantasias e maquiagem.
·        Junte sucata como potes e tampinhas, compre material numa papelaria como cola, guache, pincéis ou adesivos e promova uma seção de artes na área do apartamento.
·        Relembre de algumas brincadeiras da sua infância para recriar com seu filho, como batatinha frita um dois três, passa anel, chicotinho queimado. Naquele tempo, não havia shopping nem computador, mas a gente se divertia muito também.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Decoração de Natal: uma tradição de pais para filhos

Mais que enfeites, a decoração natalina tem um significado, que pode ajudar às crianças a aprender o verdadeiro espírito da comemoração.
  
Quem fazia decoração do meu Natal de criança era a minha avó. A velha senhora fazia questão de montar seu presépio todos os anos. Minha mãe retirava uma caixa de papelão empoeirada do armário e os personagens principais daquela festa começavam a ser desembrulhados lentamente do papel jornal. Surgia a Maria de gesso, seu rosto esculpido com minúcias, a pintura laqueada dava brilho ao manto rosa. Um a um, com o máximo de cuidado que suas mãos trêmulas permitiam, vovó ia ajeitando cada figura dentro da estrebaria de madeira. Por último, era colocado o aniversariante, um menino Jesus lindo apesar de faltar-lhe uma das mãozinhas, quebrada num trágico descuido. Quando a velha dona Vicentina começava a montagem daquele símbolo, o espírito do Natal despertava no coração de cada um de nós, que acompanhávamos embevecidos o ritual. Mas, só olhando de longe, porque criança não tinha autorização para tocar nas imagens do presépio; era pecado brincar com eles como se fossem bonecos. Nem era permitido tocar nas bolas brilhantes da árvore de Natal, que eram feitas de um vidro finíssimo e quebravam-se só olhar para elas.

Minha avó partiu há mais de 20 anos, mas os personagens de seu presépio estão vivos até hoje e todo dezembro a tarefa de montá-lo na casa de minha mãe agora é nossa, das netas. A tradição não pode ser quebrada, mas na correria da vida, está cada vez mais difícil de ser mantida. Mesmo assim, veja como vale a pena tentar!

Promover o momento de montagem dos enfeites com a família reunida é uma maneira maravilhosa de se começar o Natal. Fica tudo ainda mais lindo quando as crianças começam a entender o significado de cada enfeite, que não são uma mera decoração, mas símbolos do nascimento desse homem tão especial, que foi Jesus. Veja o que significam.

Origem da Árvore de Natal

Enfeitar árvores é um ritual muito antigo, presente em praticamente todas as culturas e religiões pagãs, para celebrar a fertilidade da natureza. Passou a ser adotado pelos cristãos na Europa, no começo do século XVI e as árvores passaram a ser montadas dentro das casas, cada vez mais decoradas. As velas simbolizam a luz de Cristo, as estrelas são uma alusão à estrela de Belém e as rosas eram uma homenagem à Virgem Maria. Percebeu que as bolas não eram originalmente um enfeite de Natal? É que ao longo dos anos os adereços foram mudando, já que as velas apresentavam perigo de incêndio e as rosas murchavam.

No Brasil, o dia certo para montar a Árvore de Natal é no domingo mais próximo do dia 30 de novembro e ela deve ser desfeita no dia 6 de janeiro, junto com as demais decorações.

Que tal deixar suas crianças montarem a árvore do jeito que quiserem? É uma experiência inesquecível. É verdade que, no resultado final, a árvore da minha casa parece ter sido atropelada por uma ambulância, mas minha filha de cinco anos fica toda orgulhosa ao contar a todos que a montou sozinha.

Origem do Presépio de Natal

A palavra presépio significa “um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo”. O primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis no ano de 1223, com os personagens feitos em argila, em tamanho natural e no meio de uma floresta. Sua ideia era explicar às pessoas mais simples como foi o nascimento de Jesus Cristo. No século XVIII, o presépio se popularizou pela Europa e, logo em seguida, por outras regiões do mundo.

Um presépio completo deve ter o Menino Jesus, Maria, José, uma manjedoura com palhas, burro e boi ou ovelhas (animais do curral que representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu), anjos (responsáveis por anunciar a chegada de Jesus), a estrela de Belém (que orientou os reis Magos), pastores (representam a simplicidade das pessoas) e os reis magos (Belchior, Baltazar e Gaspar).

Assim que minha filha completou dois anos, percebi como facilitaria contar a história do nascimento de Jesus recriando a cena. Entretanto, na minha casa, não havia presépio, então, improvisei com bonecos. O Sherek era José, a Fiona representou Maria, um dos trigêmios ogrinhos representou o Menino Jesus e o Burro, bem, fez o papel de burro mesmo. Ela delirou com a história! No ano seguinte, comprei um presépio de verdade, montei-o na sala e minha filha, depois de admirá-lo longamente, foi ao quarto e voltou com o boneco do Sherek, posicionando entre as outras figuras do presépio.
  
A origem dos Presentes de Natal

A prática de se dar presentes relembra que os três reis magos ofereceram presentes para o menino Jesus após o seu nascimento. Porém, o Papai Noel é uma menção a um bispo romano do século V, “São Nicolau”, que entregava donativos - às escondidas - às filhas de um homem muito pobre. Aos poucos, o dia de São Nicolau foi se fundindo com o período natalino.

E como o São Nicolau presenteava anonimamente, foi assim também que surgiu o amigo secreto, pelo hábido das pessoas colocarem presentes debaixo da árvore de natal sem que ninguém saiba de quem são e quem os colocou ali.


Hoje, o apelo comercial do Natal parece suplantar seu verdadeiro significado e as tradições. Por isso, transmita o significado do Natal para seus filhos. Mas o presente também tem seu lugar. Tem coisa melhor que o brilho dos olhinhos de uma criança, quando ela descobre que o maior pacote debaixo da árvore, é para ela? Isso também faz uma Noite Feliz.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Criança fala cada uma...


Anotar as graçinhas do seu filho pode ser uma lembrança tão poderosa quanto uma foto.

Quando engravidei, ganhei dois exemplares do chamado “livro do bebê”, uma espécie de álbum de recordação onde a mãe anota absolutamente tudo sobre seu rebento. Peso ao nascer, nota no Apgar (teste que dá uma nota às condições do recém-nascido, um e cinco minutos depois do parto), altura (ou melhor, comprimento, porque o bichinho nem fica de pé ainda) e qualquer outra mensuração, índice ou porcentagem que seja possível. Depois, anotam-se todos os números de novo, à medida que a criança vai crescendo. E as datas? É preciso registrar o dia que caiu o umbigo, que levou o primeiro tombo, que riu pela primeira vez, que perdeu o primeiro dente... É o tipo de diversão que qualquer mãe com transtorno obsessivo compulsivo irá adorar.

Para piorar minha situação, eu tinha que preencher os dois álbuns, para não desagradar nem minha mãe e nem minha irmã que me presentearam. Sentia uma culpa terrível quando perdia a data de algum acontecimento importante, por exemplo, o primeiro corte de cabelo, então, tratava de inventar algumas informações, só para manter os livros completos. Hoje, não sei o que é falso ou verdadeiro nos números anotados, mas as palavras sim, essas são todas reais. Nas páginas com mais espaço, comecei a anotar as gracinhas que minha filha dizia do alto dos seus dois aninhos de idade. Sabia que me arrependeria se não o fizesse, pois às vezes, me lembro que meus sobrinhos diziam coisas que nos faziam rir por dias, mas ninguém se recorda mais das frases encantadoras, desconcertantes e curiosamente sábias que saíam daquelas boquinhas.

Hoje, adolescentes, meus sobrinhos adoram quando conto algumas histórias onde eles foram os protagonistas das melhores tiradas. Riem surpresos, tentando se reconhecer nos casos que a tia vai contando, como no dia em que minha irmã ensinava meu sobrinho a rezar o pai nosso, falando apenas parte das frases e deixando-o completar a última palavra.

Ela: Assim como nós perdoamos a quem nos tenha...
Ele: Ofendido!
Ela: E não nos deixei cair em...
Ele: Nenhum buraco!

Às vezes, ao invés de risos, as crianças nos arrancam lágrimas. Ao tentar superar a saudade da tia avó que havia morrido, minha sobrinha contou-nos seu plano:

- A gente sobe numa escada muito alta, pega a faca de pão, serra o azul do céu e tira a Tia Cida de lá de dentro. Assim, ela pode voltar a viver com a gente aqui. Só falta saber se ela está no céu dessa janela aqui ou no céu da janela da outra sala.

A minha filhinha faz o gênero mais prático. O negócio dela é mandar em todas as brincadeiras e, geralmente, ser do contra. Se você quer brincar de um jeito, ela, invariavelmente, quer de outro. Um dia, brincando com ela de Polly, aquela bonequinha minúscula de troca roupinhas de plástico, resolvi colocar todos os meus conhecimentos de Indiana Jones misturados com um clima de Harry Potter para criar um cenário mágico para nossa brincadeira. Enquanto movia as nossas duas bonequinhas pelo chão, fui narrando:

- E aí, as bonequinhas entraram num misterioso castelo perdido...

Arrancando as Pollys das minhas mãos, minha filha repetiu meu movimento, fazendo-as andar pelo chão e dizendo:

- Nada disso, mãe. E aí, as bonequinhas entraram no Carrefour!

Com certeza, lembranças como essas devem ser anotadas por serem tão preciosas como as fotos, pois as anotações também congelam momentos importantes, não em imagens, mas em palavras.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

20 motivos para ser mãe aos 40


Quando minha primeira e única filha nasceu, havia completado meus 40 anos e senti medo do
desafio de me tornar uma mãe madura. Será que eu daria conta do recado? Hoje, depois de muitos percalços e alegrias, percebi que ser mãe vale a pena em qualquer idade. A vantagem da mãe madura é ter senso de humor para abraçar as mudanças da vida. Confira na lista de 20 motivos para ser mãe aos 40.

1.      Você já é uma pessoa mais vivida e, portanto, mais preparada para assumir a tarefa maravilhosa e gigantesca que é criar outro ser humano.
2.      Ou, pelo menos, você é uma pessoa vivida o bastante para saber que nunca se está pronto para uma tarefa tão gigantesca, mas a gente tem que encarar assim mesmo.
3.      Mesmo sendo vivida, você ainda é muito jovem, tem muito o que viver e aprender. Afinal, os 40 anos hoje são os novos 30.
4.      Aliás, aprender coisas novas nos faz sentir mais jovens. Então, prepare-se para um verdadeiro tratamento rejuvenescedor. A cada dia, o bebê vai lhe ensinar algo novo porque ele é sempre imprevisível!
5.      Ser mãe aos 40 é bom porque você já conquistou estabilidade financeira.
6.      Ou talvez você ainda não tenha conquistado a estabilidade financeira, mas ao menos ultrapassou a fase de achar normal gastar mais que o valor do seu salário em sapatos novos.
7.      A esta altura da vida, você já está terminando de pagar o financiamento do apartamento ou do carro, o que significa que vai sobrar grana para o financiamento do berço, do trocador, da banheirinha, do carrinho de bebê, do enxoval...
8.      Todas as suas amigas já tiveram filhos e podem dar ótimas dicas e conselhos.
9.      Todas as suas amigas já tiveram filhos e podem emprestar roupas de grávida.
10. Todas as suas amigas já tiveram filhos e podem emprestar roupinhas de bebê usadas. Aliás, nem tão usada a roupinha é, pois os bebês não fazem grande coisas para desgastá-las, além de vomitar nelas, é claro.
11. Seu relacionamento com seu marido está mais maduro, mais estável.
12. E como relacionamento “mais estável” às vezes significa “caiu na rotina”, vocês já estarão treinados para ficar sem sexo por um bom tempo, pois nas primeiras semanas de vida do bebê, mal sobra energia para escovar os dentes.
13. Você não tem mais tantas ilusões aos 40. Sabe que a lei da gravidade é imutável e seus peitos vão cair independente de amamentar ou não. Então, para que se preocupar?
14. Sei que há muita coroa enxuta, com o corpo sarado nas academias, que pode muito bem encarar uma mini saia. Mas, convenhamos, 40 anos não é mais idade para vestir essa peça (perguntem à Glória Kalil. Eu, que tive a sorte de estar na palestra dela em BH, perguntei). Então, se a mini saia não te pertence mais, qual o problema em se ganhar mais 3.200 furinhos de celulite nas coxas depois de engordar os 27 quilos da gravidez? Relaxe!
15. Você viajou, dançou em boates até de madrugada, misturou cerveja com caipivodka (quem nunca?), pulou de bungee jump, visitou clubes de swing, enfim, já curtiu a vida adoidado. Assim, será mais fácil se conformar com seu novo programa de sábado: pizzaria para famílias com playground, você dando umas garfadas na pizza fria no meio daquela barulheira de crianças gritando e parando a cada 20 segundos para acudir seu filho que está caindo do escorregador.
16. Depois dos 40, suas prioridades mudam, tornando-a mais apta à vida materna. Por exemplo, ninguém podia tocar na sua coleção de 67 corujas de porcelana. Hoje, sobraram três corujinhas, duas delas coladas com superbonder e tudo bem.
17. Outra prioridade que caiu por terra: era terminantemente proibido comer no sofá novo da sala de estar. Hoje, sofás, almofadas, cadeiras ou cortinas têm manchas de cores variadas, dependendo do que seu bebê estava comendo e tudo bem.
18. Até os 40 anos, você dormiu 14.600 noites. Para que mais? Você já tem horas de sono o suficiente para nunca mais precisar dormir direito pelo resto da sua vida, que é exatamente o que acontece depois de se tornar mãe.
19. Os cabelos grisalhos e as primeiras ruguinhas começam a aparecer aos 40. Entretanto, ao se tornar mãe, será justo como uma quarentona que você irá conhecer alguém que irá achá-la a mulher mais linda do mundo para sempre.
20. Agora, o melhor motivo de todos para ser mãe aos 40: sua vida irá começar toda de novo. Tudo o que já havia se tornado cansativo, rotineiro e sem emoção, irá renascer pelos olhos do seu filho. O Natal volta a ser mágico, o carnaval volta a ser novidade e os bichos voltam a ser seus grande amigos. Encontrar uma joaninha andando na mão é novamente uma promessa de sorte, São Jorge matando um dragão retorna a habitar a lua e as bruxas dão medo outra vez. A cada pedacinho do mundo que você apresenta ao seu filho, você também o conhece de novo como se fosse a primeira vez. Nesses momentos, eu fecho meus olhos e rezo em silêncio: “Obrigada, meu Deus, por me deixar nascer de novo”.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Afinal, funk é música de criança?

Quando encontrar sua menina de cinco anos rebolando, muita calma nessa hora.





Eu juro que lutei com todas as minhas forças, mas ele foi mais forte e conseguiu pegar minha filha. Um belo dia, ao chegar a casa, ouvi minha pobre e inocente garotinha, de apenas cinco anos, cantando... Funk! O choque foi inacreditável, corri até ela perguntando em desespero onde foi que ela ouvira aquela música. Placidamente, ela respondeu:

- Na escola, mãe.
- A professora colocou funk para vocês ouvirem? – minha voz estava bem histérica neste ponto. Afinal, o valor da mensalidade era tão alto que imaginei que a qualidade da escola estaria à altura do seu custo.
- Não, foi minha coleguinha quem me ensinou.

Foi assim que o funk se infiltrou em nossas vidas, através da boquinha de outra inocente, que além de ensinar a música, também fez uma demonstração dos passos de dança que acompanham a letra e que são recheados de rebolados e gestos sensuais.

Não há escapatória, você vai ouvi-lo, quer queira ou não. O problema não é a música. Está bom, é a música! Sei que gosto não se discute e não sou nenhuma expert no assunto, mas, vamos admitir que a melodia é repetitiva, quase com a mesma base rítmica em todas as músicas e muitas letras são rasas e grosseiras. Só isso, já seria preocupação suficiente para uma mãe que gostaria de poder oferecer uma formação de qualidade para a filha. Isso, não se obtém apenas na escola, a criança vai se formando com diversos estímulos que vão dos livros que lerão às músicas que apreciarão. Qual o estímulo que MCs e Anitas estão trazendo para as crianças?

A resposta mais óbvia é a sensualização antecipada. Mas, porque esses artistas estão conquistando o público infantil? Acredito que muitos programas de TV dirigidos às crianças não conseguiram encontrar a linguagem desta nova geração Y e Z, ainda não estabeleceram contato e ocupar o espaço que deveriam. Já não se fazem crianças como antigamente...

Tudo bem, agora vocês vão pensar que eu já passei da idade e que no meu tempo (essa frase é impiedosa) eu também gostava de barulhos que não eram considerados por meus pais como expressão musical. Eu concordo, é a lei da evolução, todas as espécies se submetem a ela. Mas, vamos combinar que Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Kid Abelha e Ultrage a Rigor tinham mensagens bem mais consistentes em suas músicas do que apenas o objetivo de listar instruções sobre como fazer a dancinha da bicicletinha ou a técnica de colar a bunda no chão. Claro, há outros temas que também são abordados pelo funk, como a atual mania de sair esculachando todo mundo na música, principalmente as mulheres que são as invejosas, as fogosas, as bandidas, as cachorras, as recalcadas, as atoladas e por aí vai. O mais triste é ver meninas muito jovens dançando essas músicas sem jamais pararem para pensar se essa é a imagem que elas acham adequada para se retratar uma mulher. Não passa pelas cabecinhas rodopiantes de longas madeixas chapadas que, nessas mesmas músicas, nenhum homem e retratado com tal desrespeito.

O que me preocupa também é a possibilidade da minha filha se saciar com essa música, essa prosa que não exige raciocínio, pois não consegue ser poesia. Sinto tristeza em pensar que minha filha não terá suas lembranças embaladas por frases como: “todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito”. Ou ainda: “vida, louca vida, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve”.

O que nos resta é oferecer diversidade sempre, dedicar tempo a apresentar outras músicas, outros sons, outras danças aos nossos filhos. Fazê-lo vivenciar outras opções culturais e poucas coisas fazem isso com mais intensidade que a experiência presencial. Leve sua criança para ver um show de música de verdade, ao vivo, e quanto mais cedo, melhor, pois na adolescência, seu filho com certeza não irá aceitar o convite. E você nem pode criticá-lo por isso, pois com certeza, na sua adolescência, aposto que odiava o disco de vinil do Agnaldo Rayol da sua mãe.