Mais que enfeites,
a decoração natalina tem um significado, que pode ajudar às crianças a aprender
o verdadeiro espírito da comemoração.
Quem fazia
decoração do meu Natal de criança era a minha avó. A velha senhora fazia
questão de montar seu presépio todos os anos. Minha mãe retirava uma caixa de
papelão empoeirada do armário e os personagens principais daquela festa
começavam a ser desembrulhados lentamente do papel jornal. Surgia a Maria de gesso,
seu rosto esculpido com minúcias, a pintura laqueada dava brilho ao manto rosa.
Um a um, com o máximo de cuidado que suas mãos trêmulas permitiam, vovó ia ajeitando
cada figura dentro da estrebaria de madeira. Por último, era colocado o
aniversariante, um menino Jesus lindo apesar de faltar-lhe uma das mãozinhas,
quebrada num trágico descuido. Quando a velha dona Vicentina começava a
montagem daquele símbolo, o espírito do Natal despertava no coração de cada um
de nós, que acompanhávamos embevecidos o ritual. Mas, só olhando de longe,
porque criança não tinha autorização para tocar nas imagens do presépio; era
pecado brincar com eles como se fossem bonecos. Nem era permitido tocar nas
bolas brilhantes da árvore de Natal, que eram feitas de um vidro finíssimo e
quebravam-se só olhar para elas.
Minha avó partiu há
mais de 20 anos, mas os personagens de seu presépio estão vivos até hoje e todo
dezembro a tarefa de montá-lo na casa de minha mãe agora é nossa, das netas. A
tradição não pode ser quebrada, mas na correria da vida, está cada vez mais
difícil de ser mantida. Mesmo assim, veja como vale a pena tentar!
Promover o momento
de montagem dos enfeites com a família reunida é uma maneira maravilhosa de se
começar o Natal. Fica tudo ainda mais lindo quando as crianças começam a
entender o significado de cada enfeite, que não são uma mera decoração, mas
símbolos do nascimento desse homem tão especial, que foi Jesus. Veja o que
significam.
Origem da Árvore de Natal
Enfeitar árvores é
um ritual muito antigo, presente em praticamente todas as culturas e religiões
pagãs, para celebrar a fertilidade da natureza. Passou a ser adotado pelos
cristãos na Europa, no começo do século XVI e as árvores passaram a ser
montadas dentro das casas, cada vez mais decoradas. As velas simbolizam a luz
de Cristo, as estrelas são uma alusão à estrela de Belém e as rosas eram uma
homenagem à Virgem Maria. Percebeu que as bolas não eram originalmente um
enfeite de Natal? É que ao longo dos anos os adereços foram mudando, já que as
velas apresentavam perigo de incêndio e as rosas murchavam.
No
Brasil, o dia certo para montar a Árvore de Natal é no domingo mais próximo do
dia 30 de novembro e ela deve ser desfeita no dia 6 de janeiro, junto com as
demais decorações.
Que
tal deixar suas crianças montarem a árvore do jeito que quiserem? É uma
experiência inesquecível. É verdade que, no resultado final, a árvore da minha
casa parece ter sido atropelada por uma ambulância, mas minha filha de cinco
anos fica toda orgulhosa ao contar a todos que a montou sozinha.
Origem do Presépio de Natal
A palavra presépio significa “um lugar onde se recolhe o
gado, curral, estábulo”. O primeiro presépio foi montado por São Francisco de
Assis no ano de 1223, com os personagens feitos em argila, em tamanho natural e
no meio de uma floresta. Sua ideia era explicar às pessoas mais simples como
foi o nascimento de Jesus Cristo. No século XVIII, o presépio se popularizou
pela Europa e, logo em seguida, por outras regiões do mundo.
Um presépio completo deve ter o Menino Jesus, Maria, José,
uma manjedoura com palhas, burro e boi ou ovelhas (animais do curral que
representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu), anjos (responsáveis por
anunciar a chegada de Jesus), a estrela de Belém (que orientou os reis Magos),
pastores (representam a simplicidade das pessoas) e os reis magos (Belchior,
Baltazar e Gaspar).
Assim que minha filha completou dois anos, percebi como
facilitaria contar a história do nascimento de Jesus recriando a cena.
Entretanto, na minha casa, não havia presépio, então, improvisei com bonecos. O
Sherek era José, a Fiona representou Maria, um dos trigêmios ogrinhos
representou o Menino Jesus e o Burro, bem, fez o papel de burro mesmo. Ela
delirou com a história! No ano seguinte, comprei um presépio de verdade,
montei-o na sala e minha filha, depois de admirá-lo longamente, foi ao quarto e
voltou com o boneco do Sherek, posicionando entre as outras figuras do
presépio.
A origem dos
Presentes de Natal
A prática de se dar presentes relembra que os três reis
magos ofereceram presentes para o menino Jesus após o seu nascimento. Porém, o
Papai Noel é uma menção a um bispo romano do século V, “São Nicolau”, que entregava
donativos - às escondidas - às filhas de um homem muito pobre. Aos poucos, o
dia de São Nicolau foi se fundindo com o período natalino.
E como o São Nicolau presenteava anonimamente, foi assim
também que surgiu o amigo secreto, pelo hábido das pessoas colocarem presentes
debaixo da árvore de natal sem que ninguém saiba de quem são e quem os colocou
ali.
Hoje, o apelo comercial do Natal parece suplantar seu
verdadeiro significado e as tradições. Por isso, transmita o significado do Natal
para seus filhos. Mas o presente também tem seu lugar. Tem coisa melhor que o
brilho dos olhinhos de uma criança, quando ela descobre que o maior pacote
debaixo da árvore, é para ela? Isso também faz uma Noite Feliz.
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