A princesa, com apenas quatro anos, corre pelo
imenso palácio de concreto. Imponente, amplo, gigantesco até. Ela é a princesa
do palácio e pode correr o quanto quiser. Os escravos que a acompanhem, se não quiserem
perde-la de vista. Só por diversão, sobe e desce, bailando, a majestosa rampa
de três voltas atapetada de verde.
Mas, ao badalar das 22h15, a brincadeira termina. É hora de parar a correria no castelo dos Confins e entrar na sala de embarque.
Não importa o cenário onde minha filha está. O aeroporto vira um
castelo e, daqui a pouco, o avião pode virar uma nave espacial para marte. É
por isso que gente grande fica tão entediada. Não nos é possível se divertir porque está preso no aeroporto há duas horas. Mas, para eles, tudo é possível. Nunca mais sua vida foi tão divertida
quanto aos quatro anos.

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