terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Hoje tem marmelada? Tem sim senhor!

Trapezistas, malabaristas, mágicos e palhaços. Todos esses personagens fazem parte do meu imaginário infantil, muito mais pelos filmes dos Trapalhões e do Jerry Lewis do que por experiência mesmo. Não me lembro de ir ao circo na infância, me lembro dele entrar na minha cabeça pela magia do cinema de tal forma que eu tinha saudade do que nunca vivi. Que nostalgia dos espetáculos sob a lona colorida que, na verdade, jamais presenciei.
Finalmente, matei minha saudade imaginária do jeito mais poético que poderia esperar. Aproveitando a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, um dos eventos mais bacanas realizados em Belo Horizonte, levei minha filha e até meu marido eremita ao circo Irmãos Simões. Nada como ter uma criança para servir de desculpas para meu desejo secreto de ir ao circo. Mal sabia eu que, ao atravessar a boca da gigantesca cabeça de palhaço, recortada em madeira como um portal para a tenda, eu entrava numa máquina do tempo.
O espetáculo era o mais puro exemplo do circo brasileiro, mambembe, família. O pai equilibrista, depois de subir em cilindros, que ficavam balançando de cá para lá, equilibrou a própria filha de dois anos com uma das mãos. Era possível ver as fraldas por debaixo do body vermelho e brilhante. A mocinha que se arriscava dentro de uma caixa, na qual o mágico enfiava espadas impiedosas, estava de salto, mas devia ter uns 14 anos. Os trapezistas mais velhos, meio barrigudos, ainda davam seus saltos triplos e mortais. Girando no ar, eram jovens de novo. Entre eles, um rapaz magrinho tinha a silhueta certa para o negócio, mas lhe faltava ainda a ginga dos tios pesados. Ele foi apresentado como a terceira geração da família e no final do show, mostrou seu valor pulando um arco de fogo.
Na hora dos palhaços foi que lembrei que, na verdade, estava no espetáculo por causa da minha filha, pois foi quando ela mais vibrou, ficou de pé e deu suas risadas com a boca cheia de pipoca.

Que delícia ouvi-la rir, não por causa do joguinho de computador na qual ela é viciada, nem por causa dos desenhos que a hipnotizam na TV. Experimente e verá. Nada se compara à risada provocada por um palhaço se esborrachando no chão.

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