quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mamãe, posso dormir na sua cama?

O que fazer quando os pequenos regridem e abandonam suas caminhas para pular na cama do casal.


A maior das maravilhas é ver nosso filho progredindo, sendo cada vez mais indenpendente. Cada libertação é comemorada - conseguir beber do copo sem derramar, ligar a televisão sem ajuda, vestir a própria blusa, etc. Mas, algumas evoluções das crianças são ainda mais comemoradas, uma vez que favorecem também aos pais. Fazer o filho dormir a noite toda no próprio quarto, em sua própria caminha e, de brinde, ganhar noites a dois mais  tranquilas, é um benefício que os pais podem levar anos para alcançar. Mas, e quando depois de todo treinamento, as crianças querem novamente o aconchego no ninho do leito dos pais?
Há cerca de três meses, minha filha passou a acordar diversas vezes na mesma noite, cada hora com um pretexto. Primeiro, pedia água, depois, para ir ao banheiro e por aí varava a noite. "Mãe, ascende meu abajur? Mãe, estou com frio. Mãe, tira minha coberta?"
Eu voltei aos tempos de quando ela era um bebê, levantando-me a todo instante atordoada de sono. Ao final de alguns dias, coloquei meu marido no sofá cama e a filha na minha própria cama, com um suprimento de água e biscoitos no criado mudo para não ter nem que levantar. Foi minha perdição. Aí que ela não parou mesmo de solicitar meus serviços como se eu fosse aquelas lojas 24 horas. 
Mudei de tática. Expliquei que ela já era uma minina grande e deveria ficar em sua cama. No meio da noite, quando ela me chamava, respondia sem me levantar: "Vire para o canto e vá dormir, filhinha". Você está pensando que minha estratégia foi tiro e queda, não é? Foi só assumir esta nova postura e tudo voltou ao normal. Infelizmente, não se fazem crianças como antigamente. Os modelos atuais são bem mais espertinhos.
Como Maomé parou de ir à montanha, minha filha resolveu sair do próprio quarto e, correndo para tomar altura, pular bem no meio da minha cama! Faltei ter um infarto da primeira vez em que ela me acordou assim, achei que era um terremoto.
Para solucionar esse problema, foi preciso vários dias e muita dedicação, mas se você não encarar logo, esse hábito pode se arrastar por anos, como já aconteceu com uma amiga minha. Então, prepare-se:
  1. O primeiro passo é descobrir o motivo. Desconfortos podem vir da temperatura - quente ou frio demais, do colchão da criança que pode estar desgastado, de algum barulho que esteja provocando este despertar noturno.
  2. Cuidar para que a alimentação antes de dormir não seja nem pesada e nem escassa que propicie a criança acordar em busca de um lanchinho.
  3. Se o tempo é de calor, talvez um banho morno ajude a preparar o corpo para uma boa noite de sono, retirando o suor e relaxando os músculos.
  4. Com os canais infantis funcionando sem parar, preste atenção qual é o último desenho animado que seu filho assiste antes de dormir. Dê preferência a programas mais calmos e já deixe o volume abaixado, reduzindo também a iluminação da sala.
  5. Não aceitar receber a criança na cama. Esse é o mais difícil para os pais que ficam com pena dos filhos e, ao mesmo tempo, estão tão cansados que acaba sendo a atitude mais fácil na hora. É preciso reunir forças, levar a criança de volta à cama e, se preciso, esperar sentada em uma poltrona ou em colchonete no chão até que ele volte a dormir, mostrando claramente que a regra é cada um na sua cama.
  6. Se o motivo dos problemas noturnos for medo, é mais complicado. O medo do desconhecido é algo que atinge pessoas de todas as idades, todos nós temos medo de algo e superar este sentimento é sempre um desafio. Costumamos fazer pouco caso do medo das crianças, porque são os que já superamos, mas é preciso respeitar a fase em que estão, quando o escuro esconde monstros e fantasmas. Neste caso, uma luzinha indireta é de grande ajuda, mas o maior trunfo é criar um amuleto anti-monstros. Pode ser uma oração, a garantia da presença do anjo da guarda ou de um boneco de super-herói ao lado do travesseiro. Algo em que ele possa se apoiar para ir, aos poucos, exercitando seu próprio autocontrole.
O importante é não deixar se prolongar e resolver o problema para que a família toda volte a ter uma boa noite!

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